Mãos sobre o teclado de um notebook, ao lado do título do artigo: a simulação do Meu INSS é confiável?

“A simulação do Meu INSS está certa?” É a pergunta de quem abriu o aplicativo e viu uma data que não esperava.

O aplicativo não erra a conta. Ele conta o que está no cadastro.

Neste texto eu mostro de onde o simulador tira os dados, o que ele não enxerga e o que eu confiro no cadastro antes de aceitar qualquer data.

De onde vem o número que o aplicativo mostra

A simulação fica no serviço “Simular Aposentadoria”, dentro do Meu INSS. Segundo o próprio INSS, o cálculo é feito com as informações que estão na base de dados do instituto. O resultado é apenas uma projeção: não significa que o direito ao que foi simulado já esteja reconhecido. Quem decide é o INSS, depois de analisar o pedido.

Há um detalhe do próprio aplicativo: a projeção do valor do benefício só aparece quando faltam, no máximo, cinco anos para ter direito à aposentadoria. Se a sua simulação mostra o tempo que falta, mas não mostra o valor, essa é uma explicação possível.

O que acontece com o que não está no cadastro

Um vínculo que não está no cadastro não entra na conta. Quando alguém me diz que pagou e o período não aparece, o caso mais comum é um emprego que a empresa não informou, e a frase que eu ouço é “mas eu trabalhei”.

Um período com pendência também não entra sozinho. Nada disso gera alerta: só aparece quando alguém confere o cadastro data por data. E existe caminho para corrigir antes do pedido.

O tempo em que você trabalhou exposta a agentes que fazem mal à saúde, como ruído ou produtos químicos, segue a mesma lógica. O aplicativo não sabe disso. Esse tempo só entra com documento.

Você pode ajustar a simulação, mas o cadastro não muda

Dentro do simulador, é possível incluir, excluir e ajustar vínculos e remunerações. O INSS avisa que isso vale apenas para fins de simulação.

É útil para comparar cenários. Mas o cadastro continua como está, e o que vale para o pedido é o que o INSS tem registrado e o que você consegue comprovar.

O que eu confiro no cadastro, nesta ordem

Quando um extrato do CNIS (o Cadastro Nacional de Informações Sociais, o histórico que o INSS guarda de você) chega pela primeira vez, eu olho quatro coisas:

  1. Os indicadores. São as siglas ao lado de cada vínculo ou contribuição.
  2. Se há indicação de regime próprio. É o regime de previdência de quem foi servidor público.
  3. Os salários de contribuição. Eles entram no cálculo do valor do benefício.
  4. Se todos os vínculos têm data de início e de fim. Um vínculo em aberto, sem data de saída, pode contaminar os períodos seguintes.

Os indicadores que eu mais encontro são três:

O que significa complementar

Complementar é pagar a diferença que faltou para a contribuição ficar completa.

Pense em cada mês de contribuição como uma conta com um valor fechado. Quando a pessoa pagou menos do que esse valor, o INSS não considera o mês completo. A complementação é pagar o que faltou, e só então o mês passa a contar por inteiro.

No plano simplificado, a diferença é a que existe entre a contribuição reduzida e a normal, acrescida de juros. Nas contribuições abaixo do salário mínimo, a diferença é a que falta para chegar ao mínimo. Nesse caso, o INSS prevê ainda outros dois ajustes dentro do mesmo ano: usar a sobra de um mês para completar outro, ou juntar contribuições pequenas de meses diferentes. Isso se pede pelo Meu INSS.

Um cuidado importante: segundo o INSS, depois que o ajuste é processado, ele não pode ser desfeito. Por isso, vale entender o seu caso antes de pagar qualquer diferença.

Um indicador no cadastro é um sinal para eu olhar com mais atenção, e não uma conclusão. No atendimento, eu explico cada um deles com o seu extrato na mão.

O que fazer agora

  1. Tire o extrato do CNIS no Meu INSS.
  2. Leia vínculo por vínculo. Marque o que está faltando, o que está sem data de saída e o que tem sigla ao lado.
  3. Separe os documentos desses períodos: carteira de trabalho, guias de pagamento, holerites.

O primeiro passo não é entrar com nada. É entender onde você está.

Perguntas frequentes

O aplicativo calcula errado?

Ele calcula o que está no cadastro. Se um vínculo, um período ou um salário não aparece lá, a conta é feita sobre uma história incompleta.

Posso usar a data da simulação para decidir quando pedir?

A simulação mostra o tempo que falta em cada regra. A decisão de quando pedir depende da comparação entre as regras em que você cabe, com a data e o valor de cada uma lado a lado.

Por que a minha data é diferente da de uma colega?

Cada pessoa tem um cadastro e uma história de trabalho diferentes. As regras de transição também mudam conforme a idade e o tempo que a pessoa tinha em novembro de 2019. Ninguém está mentindo: cada um faz uma conta diferente.


Se a data que o aplicativo mostrou não bate com a sua história de trabalho, o problema quase nunca é você. Este texto é informativo e não substitui a análise individual. Consulte uma advogada de sua confiança.

Tatiana Amaral · OAB/PR 36.986 · Direito Previdenciário
Biaggi & Amaral Advogados · Curitiba–PR

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